Desafio do ISKNV na Tilapicultura Intensiva e o Potencial de Modulação Inflamatória com TilaSpi
Por Jose Miguel Troncoso | Technical Manager Aqua
ISKNV como uma ameaça crescente na tilapicultura intensiva
O Vírus da Necrose Infecciosa do Baço e do Rim (ISKNV) tornou-se uma das principais doenças virais que afetam a produção intensiva de tilápia em todo o mundo. Caracterizado por altas taxas de mortalidade, especialmente nas fases iniciais de desenvolvimento, como alevinos e juvenis, o ISKNV representa um sério risco à produtividade, ao bem-estar animal e à rentabilidade das fazendas aquícolas.
Como os surtos estão frequentemente associados a fatores de estresse, como variações de temperatura, hipóxia e altas densidades de estocagem, o controle eficaz do ISKNV vai além da simples detecção do patógeno. A tilapicultura moderna exige estratégias integradas de saúde, focadas no fortalecimento da resiliência dos peixes, na estabilidade fisiológica e na redução do impacto das doenças em condições comerciais.
o que é o ISKNV e por que ele é tão perigoso?
Classificação e características do vírus
O ISKNV é um vírus de DNA de fita dupla (dsDNA) pertencente ao gênero Megalocytivirus, da família Iridoviridae. Foi inicialmente caracterizado como o patógeno responsável por mortalidades massivas em peixe-mandarim (Siniperca chuatsi) na China, no final da década de 1990 (He et al., 2001). O genoma possui aproximadamente 111,3 kb e contém 124 potenciais quadros de leitura aberta (ORFs) (He et al., 2001).
O ISKNV pertence ao grupo dos chamados “iridovírus de hipertrofia celular”, compartilhando alta identidade genômica com o Red Sea Bream Iridovirus (RSIV) e o Turbot Reddish Body Iridovirus (TRBIV). Esses vírus são conhecidos por causar doenças sistêmicas caracterizadas pela formação de células hipertrofiadas, ou megalócitos, no tecido conjuntivo de diversos órgãos (Subramaniam et al., 2016; Clyde et al., 2025).
Sinais clínicos e patologia na tilápia
A infecção por ISKNV provoca uma doença sistêmica grave, cujos principais sinais clínicos incluem:
- Letargia e redução da atividade natatória
- Perda de apetite e queda no desempenho zootécnico
- Melanose
- Exoftalmia
- Distensão abdominal devido à ascite
(Subramaniam et al., 2016; Figueiredo et al., 2021)
Do ponto de vista histopatológico, observa-se a presença de células hipertrofiadas basofílicas (megalócitos) no baço, rim, fígado e brânquias (McGrogan et al., 1998; Subramaniam et al., 2016).
Estudos recentes indicam que condições de hipóxia podem ativar hypoxia response elements (HREs) no genoma do ISKNV, intensificando a replicação viral e acelerando a progressão da doença (He et al., 2022). Esse achado reforça a importância do manejo ambiental no controle da enfermidade.

Epidemiologia global e situação no Brasil
Inicialmente restrito à Ásia, o ISKNV é atualmente considerado um patógeno de distribuição global, com impacto crescente em diversas regiões aquícolas.
No Brasil, o vírus foi oficialmente reportado em 2020, após surtos atípicos em fazendas de tilápia-do-nilo (Oreochromis niloticus) no estado de Minas Gerais (Figueiredo et al., 2021). Desde então, dados epidemiológicos demonstram uma ampla disseminação do agente.
De acordo com as informações recentemente entregues no Boletín Sanitario de tilapia (Pathovet, 2024):
- O ISKNV está presente nas principais regiões produtoras do país, incluindo Minas Gerais, São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul.
- A taxa de positividade atingiu 16% no segundo trimestre de 2024.
- 84% dos casos positivos concentram-se nas fases de larvicultura, recria e pré-engorda, evidenciando a maior susceptibilidade dos peixes jovens.
Impacto econômico
Os impactos econômicos associados ao ISKNV são expressivos:
- Reduções de produção de até 46%
- Mortalidade podendo alcançar 90% em sistemas intensivos de tanques-rede
(Figueiredo et al., 2020; Pathovet, 2024)
O diagnóstico é realizado principalmente por qPCR direcionado ao gene da Proteína Principal do Capsídeo (MCP), considerado o método padrão para detecção do ISKNV (Ayiku et al., 2024).
Estratégias de manejo e controle do ISKNV
Manejo ambiental e térmico
A patogenicidade do ISKNV é fortemente dependente da temperatura. No Brasil, os surtos mais severos ocorrem entre 26°C e 30°C (França e Silva et al., 2024).
Estudos demonstram que:
- A manutenção da temperatura da água entre 32°C e 34°C (choque térmico controlado) pode inibir significativamente a replicação viral.
- Nessas condições, a mortalidade pode ser reduzida drasticamente ou até eliminada (Ayiku et al., 2024; França e Silva et al., 2024).
Além disso, níveis elevados de oxigênio dissolvido são fundamentais, uma vez que a hipóxia acelera a progressão da doença e agrava os surtos (He et al., 2022).
Biosseguridade e vacinação
As principais medidas preventivas incluem:
- Uso de reprodutores e larvas PCR-negativos
- Restrição da movimentação de peixes entre unidades produtivas
- Protocolos rigorosos de higiene e desinfecção
Embora vacinas inativadas e de DNA estejam em desenvolvimento, a eficácia em campo ainda é variável, especialmente sob condições comerciais de estresse elevado (Clyde et al., 2025; Ayiku et al., 2024).

Além do controle do patógeno: modulação da inflamação e da resposta do hospedeiro
Modulação inflamatória
Infecções virais, como o ISKNV, frequentemente desencadeiam uma resposta inflamatória exacerbada, resultando em danos teciduais, elevado gasto energético e maior suscetibilidade a infecções secundárias.
Soluções inovadoras têm sido propostas para:
- Modular a resposta inflamatória
- Reduzir os danos sistêmicos
- Promover o equilíbrio imunológico
(AHV International, 2024)
Tecnologias de Quorum Sensing
Tecnologias de Quorum Sensing atuam interrompendo a comunicação bacteriana, reduzindo a virulência de patógenos oportunistas como Francisella noatunensis. Embora não atuem diretamente contra o vírus, essas estratégias:
- Diminuem infecções secundárias
- Reduzem o estresse fisiológico
- Contribuem para maior resiliência sanitária
(AHV International, 2024)
TilaSpi: suporte ao equilíbrio imunológico durante desafios
O manejo do ISKNV exige uma abordagem preventiva, integrada e baseada na resiliência do animal.
O Blue Health Vision’s TilaSpi foi desenvolvido para apoiar a saúde da tilápia durante desafios virais por meio de:
- Modulação da resposta inflamatória, limitando os danos causados pelo excesso de inflamação
- Restabelecimento do equilíbrio imunológico, permitindo que o animal direcione energia para recuperação e desempenho
- Redução do risco de infecções secundárias, contribuindo para menores taxas de mortalidade
Ao atuar no suporte fisiológico do hospedeiro, e não diretamente como antiviral, o TilaSpi integra-se de forma eficaz aos programas modernos de manejo sanitário.
Conclusão
O ISKNV representa um dos maiores desafios sanitários da tilapicultura intensiva moderna. Seu controle eficaz depende da integração entre manejo ambiental adequado, biosseguridade, diagnóstico precoce e estratégias de modulação imunológica.
Soluções que promovem o equilíbrio inflamatório e aumentam a resiliência dos peixes, como o TilaSpi, são ferramentas-chave em programas preventivos, ajudando produtores a proteger a produtividade, o bem-estar animal e a sustentabilidade da produção.
Referências
AHV International, 2024. Modulação inflamatória em peixes por Tila SPI. Aquishow 2025 Deck (Rev. May 2024), Brazil.
Ayiku, A.N.A., et al., 2024. Molecular epidemiology and current management of Infectious Spleen and Kidney Necrosis Virus (ISKNV) infection in Ghanaian cultured tilapia. Aquaculture 581, 740330.
Clyde, C.W., et al., 2025. Current updates on viral infections affecting tilapia. Aquaculture and Fisheries 10, 355-371.
Figueiredo, H.C.P., et al., 2021. First report of infectious spleen and kidney necrosis virus in Nile tilapia in Brazil. Transboundary and Emerging Diseases 68, 14217.
França e Silva, T.M., et al., 2024. Experimental Infection and the Effects of Temperature on the Pathogenicity of ISKNV in Juvenile Nile Tilapia. Animals 14, 452.
He, J., et al., 2022. Hypoxia triggers the outbreak of infectious spleen and kidney necrosis virus disease through viral hypoxia response elements. Virulence 13(1), 714-726.
He, J.G., et al., 2001. Complete Genome Analysis of the Mandarin Fish Infectious Spleen and Kidney Necrosis Iridovirus. Virology 291, 126-139.
McGrogan, D.G., et al., 1998. Systemic disease involving an iridovirus-like agent in cultured tilapia, Oreochromis niloticus L. a case report. Journal of Fish Diseases 21, 149-152.
Pathovet, 2024. Boletim Sanitário da Tilápia. Edição 06 (Abril-Junho 2024). Brazil.
Subramaniam, K., et al., 2016. Megalocytivirus infection in cultured Nile tilapia Oreochromis niloticus. Diseases of Aquatic Organisms 119, 253-258.
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